Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

sábado, 4 de setembro de 2010

Procura

Caminhos da realidade
Negra noite silenciar
Ventos seguem perseguindo
Noite negra enredar
Flutuando pelos ares
Cheiro que me domina
Marca as tuas pegadas
Balbuciando sua sina.

Simples e audaciosa
Cachos a esgueirar
Adoçando sua vida
Ao largo com o luar
Parte ao menor ruído
Vai beber perto do mar
Um dia troca de água
E da doce beberá

Entendo sestroso bicho
Acostumou a só andar
Correndo pelas coxilhas
Tempos de procurar
Renascer algo no peito
Raras sementes plantar.
Uma de esperança
A outra do meu amar.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Do Céu
 
Cambraia que inebria
Chitas aqui florescem
Revirados de alegria
Tua demora causa preces
Anjos todos aflitos
Recolhem gritos de monges
Caia em mim água da vida
Renascer em nossas fontes.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010


Missioneira Paixão






Derrubar touro no sonho
Façanhas devem existir
Nas mangueiras da existência
São pra poucos, Juremir. 






Merecido o respeito
Já nasceu um ser patrono
Todo lombo de cavalo
Este guapo faz seu trono





Meu pago esta faceiro
Caiu água no rincão
Anunciando este guerreiro
Longa vida ao Paixão.






Publicado  em homenagem a Paixão Côrtes patrono da feira do livro de Porto Alegre





sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lusco e o Fusco


Entrar em baile encharcado
Campeando a china no faro
Tomar um gole de pura
Paia para o cigarro
Luz esforça apenas facho
Seios das castelhanas
Um borracho pelo canto
Gaiteiro cheio de canha

Cheiravam flor do pecado
Gracejavam argumentos
Lábios de mel espalhados
Potrancas puras ao vento
Tropeada  sempre dura
Luz vermelha demarcar
Devaneios,ahh morenas
Impossível não amar..


Carreira atada e comprida
Sôfregos iniciados
Pequenos passos de dança
Quarto todo inebriado
Como saciar a saudade
Meu canto canta que são
Águas fortes e correntes
Encontrando a mansidão.

Tantas doçuras na vida
Quem não esquece verseja
Nada foi sonho, tristeza
Impedindo alvorecer
Amanhã quando meu ser
Viajar com suas memórias
Bastara lembrar de outrora
Renascendo o meu morrer.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Real

Noite exultante
sussurros altos
gemidos constantes


mistura de almas...
somente acalma
sendo incessante.

Toda hora o desejo
fogo lampejos aceso
saciar insaciavel
sorver sumo andejo


Semeando vastos campos
o gozo da natureza
acolhe madeira bruta
com sua terna realeza.

sábado, 21 de agosto de 2010

No Tempo



Tapera não é solita

Mansa chuva no terreiro

Ventos secam no varal

Recuerdos, o tempo inteiro.



O sol derrama carinhos

Na mescla que se formou

Poeira toda encharcada

De amores logo brotou.



A noite assume bela

Beijando o sol no adeus

Meu pampa acalma almas

Todos os amores seus.



Aurora chega macia

Seu ventre fecunda as lidas

Defendendo a minha terra

Mesmo em outras vidas

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Jujus

Este sonho há de levar
Aos jorros dos mananciais
Refletindo em tuas águas
Negros olhos fatais
Voltear o pensamento relutando em um querer
Ingrata espera só maltrata este ser
Elo da corrente que separa o meu bem
Se tu não vens que de mim será.

Fica um rancho solito
Meu olhar grita aflito
Procurando tua imagem
Em rastros em qualquer risco
Peço para a lua que me ajude clarear
Estes passos certos que te levam a voltar
Sedentos da verte que fecunda no tocar
Se tu não vens que de mim será.

Nasce o sol das minhas preces
Reponta sombras da noite
Quebrando sobras de gritos
Despertar sem mais açoites
Verde encharca o pasto do viver
Parto ao infinito jamais morrer
Falarei da vida amada querida
Se tu partir que de mim será.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ventre terra

O ventre da minha terra
Gerou mais que simples homens
Pariu mescla de guerreiros
Com força de lobisomens

No construção destes pagos
Emolduramos talentos
Uns defendem pelo canto
Outros com a roça elementos

Enchemos o peito de glorias
Coisas que sempre vivi
Carrego como vitória
Esta terra aonde nasci.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Grito da Roda

O balanço da memória
Expõem o homem ao tempo
Partilhando as derrotas
Angustias e seus lamentos
Considerando vitórias
Alegrias, monumentos

Existe o ciclo da roda
Que luta sempre no chão
Jamais perdera memória
Rastro do seu rincão

Terrenos tão ingrimes
Muitas pedras cortam o vão
Esperança de quem passa
Um dia voltar, verão!

Quantas voltas este mundo
Incansável em seu ver
Saracoteando o infinito
Saindo alvorecer
A tarde voltar solito
Sorvendo o anoitecer

Calor do entendimento
Macerando um saber
Entrelinhas de estrelas
Traçando fio de correr
Alcançar sonhos perdidos
Profundo sono do ser.

domingo, 4 de julho de 2010

Gateado

Estes olhos gateados
arranham os pensamentos
melam todos sentimentos
suco da flor do campo
postar-se feito carancho
ansia de ir roubar
carinhos e seu amar
enxurrada de encantos.

Como conheço a lida
resolvo partir a trote
escapando dos teus olhos
certeza escapo do bote.
tateando novo rumo
prometo não mais chorar
de saudade desta tipa
e os seus olhos de matar.
Castanha do Coração

Degustar estas andanças
Sorvendo todos caminhos
Carregando nos costados
Tanto amor, muito carinho

Percebendo aconchego
Nunca mais deixar partir
A certeza destes cachos
Acalentam meu sentir

Ser amado é conforto
Deleite de um Orfeu
Não troco nada do mundo
Por laços abraços teu

Felicidade se colhe
Após árdua semeada
Frutos desta labuta
Tanta gente irmanada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lábios de Pitanga

Encontrei na Pitangueira
A fruta que adoçou
Encantos de feiticeira
Da morena que me amou.

Quando ando pelos bosques
Me da uma vontade louca
Só de pensar em teus lábios
Fico com água na boca.


Agora espraio solito
Na sombra junto a mangueira
bebendo os beiços da fruta
Em meus sonhos na capoeira.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Clareada

Geada consome o verde
noivou coxilhas e pastos
Minuano forjou o dia
fervente sempre no braço .

Alma aquecida com água
mãos esfregam a semeada
Balbuciando pensamentos
Da lida junto a amada

Quem fica junto ao rancho
árdua tarefa em zelar
abastecer com afagos
aqueles que o vento traz

Santa razão em viver
todo dia eu refaço
a tarefa de aprender
ser feliz com meu espaço.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Alma Caborteira

Sou barro de algum rio
Mesclando tantas lamurias
Sou desta cor tão escura
Que da vida aos elementos
Sou apenas complemento
De alquimias da lua
Sempre tive alma pura
Soberano em meus ventos

Desgarrei-me deste raso
Soltei a frente da nau
Meu barco conhece o mal
Parar em falsas areias
Embora tenham sereias
Incautos desprevenidos
Engano ter como abrigo
Águas baixas são cadeias

Conheço o trote certo
O canal destas viagens
Águas profundas coragem
Daqueles que te seguiram
Um cometa neste rito
Encanto pela verdade
Somente a eternidade
Dimensionará o meu grito

Seja bem vinda parceira
Minha alma caborteira
Já enxergo na porteira
Acarenciada no pago
Remendado com estragos
Que o campo irá curar
Não carece mais chorar
Teus campos brotam na cheia.