Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

domingo, 4 de julho de 2010

Gateado

Estes olhos gateados
arranham os pensamentos
melam todos sentimentos
suco da flor do campo
postar-se feito carancho
ansia de ir roubar
carinhos e seu amar
enxurrada de encantos.

Como conheço a lida
resolvo partir a trote
escapando dos teus olhos
certeza escapo do bote.
tateando novo rumo
prometo não mais chorar
de saudade desta tipa
e os seus olhos de matar.
Castanha do Coração

Degustar estas andanças
Sorvendo todos caminhos
Carregando nos costados
Tanto amor, muito carinho

Percebendo aconchego
Nunca mais deixar partir
A certeza destes cachos
Acalentam meu sentir

Ser amado é conforto
Deleite de um Orfeu
Não troco nada do mundo
Por laços abraços teu

Felicidade se colhe
Após árdua semeada
Frutos desta labuta
Tanta gente irmanada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lábios de Pitanga

Encontrei na Pitangueira
A fruta que adoçou
Encantos de feiticeira
Da morena que me amou.

Quando ando pelos bosques
Me da uma vontade louca
Só de pensar em teus lábios
Fico com água na boca.


Agora espraio solito
Na sombra junto a mangueira
bebendo os beiços da fruta
Em meus sonhos na capoeira.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Clareada

Geada consome o verde
noivou coxilhas e pastos
Minuano forjou o dia
fervente sempre no braço .

Alma aquecida com água
mãos esfregam a semeada
Balbuciando pensamentos
Da lida junto a amada

Quem fica junto ao rancho
árdua tarefa em zelar
abastecer com afagos
aqueles que o vento traz

Santa razão em viver
todo dia eu refaço
a tarefa de aprender
ser feliz com meu espaço.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Alma Caborteira

Sou barro de algum rio
Mesclando tantas lamurias
Sou desta cor tão escura
Que da vida aos elementos
Sou apenas complemento
De alquimias da lua
Sempre tive alma pura
Soberano em meus ventos

Desgarrei-me deste raso
Soltei a frente da nau
Meu barco conhece o mal
Parar em falsas areias
Embora tenham sereias
Incautos desprevenidos
Engano ter como abrigo
Águas baixas são cadeias

Conheço o trote certo
O canal destas viagens
Águas profundas coragem
Daqueles que te seguiram
Um cometa neste rito
Encanto pela verdade
Somente a eternidade
Dimensionará o meu grito

Seja bem vinda parceira
Minha alma caborteira
Já enxergo na porteira
Acarenciada no pago
Remendado com estragos
Que o campo irá curar
Não carece mais chorar
Teus campos brotam na cheia.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Jornada

Eu sei que nada existe
Por acaso ou desatado
Toda costura do mundo
Tem você sempre ao meu lado

Interligamos atitudes
Seguindo caminhos  além
Balanço da caminhada
Se tiver você meu bem

Já fiquei sem este peso
Que falta faz isto a mim
A leveza de uma pena
Acompanha até o fim

Conclusão tão acertada
Geada queima o capim
Se sumires na jornada
Que será  de mim no fim.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Prócontra



O sonho acorda cedo

diferente amanhecer

apenas não tem bem perto

a certeza do teu ser

no plano existem contras

diferenças no saber

quem ama nunca esquece

so amando irás viver.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Desencontros



Porque maltratas agora

judiaste tanto de mim

sabes tu desta ausência

se voltar começa o fim

nossas raizes secaram

mantinhas amar em pé

chamar de novo a esperança

certeza matar a fé

proponho agora acordo

a lua atesta até

estando vivo ou morto

os rumores tão fogosos

não passar do cafuné.

domingo, 2 de maio de 2010

Tuas Lágrimas

Tentar entender as passagens
que temos em nossas vidas
apertos nas despedidas
nos mostram o enrijecer
devemos sempre entender
os desejos de quem cria
menos dias ou mais dias
a gente vai renascer.


Ventanias que transformam
as palhas de nossos tetos
uma quantia de afeto
disperso sempre a voar
procuramos pelo ar
algo que nos de branduras
para aliviar penas duras
que devemos enfrentar.


Não represar estas águas
um conceito natural
rogamos pai celestial
partilhar o entendimento
nos abster dos lamentos
saber tocar, ir adiante
perceber que não distante
teremos nosso final.


Um final que recomeça
canta a palavra divina
é no andar lá de cima
a razão maior do ser
o Cristo com seu saber
irá clarear os caminhos
tirando todos espinhos
de nossos amanheceres.


Peço ajuda ao Pai divino
sustentar esta minha dor
carrego em meu andor
santos e pergaminhos
mapas, longas estradas
serão todas iluminadas
por estes que saem do ninho.


Renascer na invernada
capricho da natureza
entender a realeza
atos de nosso Pai
transformar os que iguais
conservam a esperança
de um dia voltar criança
correr em campos florais.


Negrinho do Pastoreio
rogo uma prece pra ti
ajude eu descobrir
o manto que me sufoca
quero sair desta toca
me saciar em tuas aguadas
quem sabe de madrugada
entenda que não perdi.


Por favor, é que te peço
me tire do formigueiro
quero voltar ser faceiro
correr em campos, voar
perceber que um amar
alivia as feridas
dizer à águas aflitas
não judiar mais nesta vida
aqueles que suas chagas
o nosso Deus vai curar .


quarta-feira, 28 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010


Tua  Terra

Quem viaja nos meus cantos
bebe águas do meu ser
Riogrande é infinito
na busca do teu saber
voa tu que é retirante
fugiste sem ninguem ver
um dia volta aos braços
de quem te viu crescer.

Mire lagoas tão mansas
corredeiras sem iguais
orgulho levar no pelo
um tempo chucro no mas
devemos ter bem no peito
orgulho dos ancestrais.
suspiros destas chinocas
fecundam em mananciais.
Ciúme

Ciúme é tão ardente
Ardências amargarão
Acalme águas da alma
Raiva tua é em vão
Desate estes teus nós
Sobreviva a indecência
Ciúmes é tão ruim
Destrói provocando
Ausência.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gotas

Esta gota que desanda
apenas lava o luar
imaginando o poeta
os rastros que vão deixar
saudades, choro no olhar
cometas, em céu aberto
aguadas, nunca deserto
te digo sem estar por perto
palavras que não disperso
águas tuas vão ao mar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Hámar

Fecho os olhos e te vejo
claro e belo teu cortejo
escuro foi o meu medo
tão ardentes meus desejos
ahhh como é bom vagar
que toda nossa partida
sempre chegue no mar
alem de adoçar a alma
resgatar a quem nos salva
permitir morrer de amar.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Certa vez me perguntaram

que jeito tem a saudade

me agarrei a santidade

procurando explicação

saudade chega ao rincão

e ajeita o pouso na calma

e com as vazilhas da alma

traz água do coração.



Cindinho Medeiros
Padecer



Vai chover em nossa horta

vou ter como plantar

não quero enterrar ninguém

pois muito luta virá

poucos conseguem água

pra poder se saciar

não padeça nesta hora

sempre a flor vai rebrotar.

De Passagem



Cintos que se amarram

com a dor que lhes pertence

viajar cheio de gente

todas bem no coração

ir a solta no estradão

de dia e madrugada

procurando sua morada

com sombra no meu rincão





Juventude,doce língua

dialeto que só faz bem

não esquecer de ninguém

no andar desta carroça

que as vezes dizemos joça

por desfazer o que temos

não transformo minha roça

em castelos opulentos



Nada temos a lamentar

que doçura o nosso lar

o lamento é se jogar

em espinhos desiguais

agradecemos aos pais

trilharam nossos caminho

não viajaremos sozinhos

apenas arrume um cantinho

não tarda, eu vou chegar.
Bilhetes



Não te mando mais bilhetes

não por falta de papel

é que perdi minhas penas

que voavam pelo céu

mas agora descobri

um modo de avisar

gritando teu coração

espere pois chego já.