Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

domingo, 2 de maio de 2010

Tuas Lágrimas

Tentar entender as passagens
que temos em nossas vidas
apertos nas despedidas
nos mostram o enrijecer
devemos sempre entender
os desejos de quem cria
menos dias ou mais dias
a gente vai renascer.


Ventanias que transformam
as palhas de nossos tetos
uma quantia de afeto
disperso sempre a voar
procuramos pelo ar
algo que nos de branduras
para aliviar penas duras
que devemos enfrentar.


Não represar estas águas
um conceito natural
rogamos pai celestial
partilhar o entendimento
nos abster dos lamentos
saber tocar, ir adiante
perceber que não distante
teremos nosso final.


Um final que recomeça
canta a palavra divina
é no andar lá de cima
a razão maior do ser
o Cristo com seu saber
irá clarear os caminhos
tirando todos espinhos
de nossos amanheceres.


Peço ajuda ao Pai divino
sustentar esta minha dor
carrego em meu andor
santos e pergaminhos
mapas, longas estradas
serão todas iluminadas
por estes que saem do ninho.


Renascer na invernada
capricho da natureza
entender a realeza
atos de nosso Pai
transformar os que iguais
conservam a esperança
de um dia voltar criança
correr em campos florais.


Negrinho do Pastoreio
rogo uma prece pra ti
ajude eu descobrir
o manto que me sufoca
quero sair desta toca
me saciar em tuas aguadas
quem sabe de madrugada
entenda que não perdi.


Por favor, é que te peço
me tire do formigueiro
quero voltar ser faceiro
correr em campos, voar
perceber que um amar
alivia as feridas
dizer à águas aflitas
não judiar mais nesta vida
aqueles que suas chagas
o nosso Deus vai curar .


quarta-feira, 28 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010


Tua  Terra

Quem viaja nos meus cantos
bebe águas do meu ser
Riogrande é infinito
na busca do teu saber
voa tu que é retirante
fugiste sem ninguem ver
um dia volta aos braços
de quem te viu crescer.

Mire lagoas tão mansas
corredeiras sem iguais
orgulho levar no pelo
um tempo chucro no mas
devemos ter bem no peito
orgulho dos ancestrais.
suspiros destas chinocas
fecundam em mananciais.
Ciúme

Ciúme é tão ardente
Ardências amargarão
Acalme águas da alma
Raiva tua é em vão
Desate estes teus nós
Sobreviva a indecência
Ciúmes é tão ruim
Destrói provocando
Ausência.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gotas

Esta gota que desanda
apenas lava o luar
imaginando o poeta
os rastros que vão deixar
saudades, choro no olhar
cometas, em céu aberto
aguadas, nunca deserto
te digo sem estar por perto
palavras que não disperso
águas tuas vão ao mar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Hámar

Fecho os olhos e te vejo
claro e belo teu cortejo
escuro foi o meu medo
tão ardentes meus desejos
ahhh como é bom vagar
que toda nossa partida
sempre chegue no mar
alem de adoçar a alma
resgatar a quem nos salva
permitir morrer de amar.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Certa vez me perguntaram

que jeito tem a saudade

me agarrei a santidade

procurando explicação

saudade chega ao rincão

e ajeita o pouso na calma

e com as vazilhas da alma

traz água do coração.



Cindinho Medeiros
Padecer



Vai chover em nossa horta

vou ter como plantar

não quero enterrar ninguém

pois muito luta virá

poucos conseguem água

pra poder se saciar

não padeça nesta hora

sempre a flor vai rebrotar.

De Passagem



Cintos que se amarram

com a dor que lhes pertence

viajar cheio de gente

todas bem no coração

ir a solta no estradão

de dia e madrugada

procurando sua morada

com sombra no meu rincão





Juventude,doce língua

dialeto que só faz bem

não esquecer de ninguém

no andar desta carroça

que as vezes dizemos joça

por desfazer o que temos

não transformo minha roça

em castelos opulentos



Nada temos a lamentar

que doçura o nosso lar

o lamento é se jogar

em espinhos desiguais

agradecemos aos pais

trilharam nossos caminho

não viajaremos sozinhos

apenas arrume um cantinho

não tarda, eu vou chegar.
Bilhetes



Não te mando mais bilhetes

não por falta de papel

é que perdi minhas penas

que voavam pelo céu

mas agora descobri

um modo de avisar

gritando teu coração

espere pois chego já.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sonhos

Proposital é o sonho
Remexer tronco cravado
Não dimensiona estragos
Naqueles que muito amaram
Seus amores sepultaram
Extenuado a esperança
Desespero em lembranças
Um tempo já concretado

Forte tranco da lambança
Tranqueira desprevenida
Sangrou enorme ferida
Aquela causou em mim
Pesadelo ela assim
Linda bela seu olhar
Amava uma doçura
Era eu o seu amar

Que coisa mais esquisita
Raiva, medo e perdão
Procurei estender a mão
Solicitava ajuda
Pensei somente assim
Ter esta mulher abraços
Como negar o meu braço
Meu amor algoz de mim.

Sabia algo errado
Saudade já me cobrava
Sonho que me maneava
Aprisionando o livre
Carregar mesmo que triste
O desejo renascido
Amor morto escondido
Ressuscita da saudade

Amamos muito na vida
Sonhando em ser feliz
Loucuras de aprendiz
Açúcar goiaba sonho
Transformar ser enfadonho
Profunda sabedoria.
Perder-se desta guria
Certeza do próprio fim.

Acordar sonho encanto
Confuso o pesadelo
Cabeça igual  cincerro
Vai e vem desta memória
Sem sentido esta história
Sete palmos é trapaça
Não ir enterro na praça
Ninguém sepulta desejos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Soga não quis mais nós,
cinchava reza com ventos,
desdenhando a própria fibra 
desfiou-se só no tempo.
Luxurias no Campo

Troteando no lusco fusco
Cascos moldam pedregulhos
Magia em ver fagulhas
Misturando alguns perfumes
Tarde véu de vaga lumes
Os campos já descansando
Lindas chinocas esperando
Amores que se assumem

Meu destino neste pago
Amar sou ser finito
Já fui um taura aflito
Perdido torto a direito
Hoje levo do meu jeito
Amores que me consomem
Feliz e matando a fome
Com jujos do infinito

Apeei já orvalhado
Candeeiro embriagava
As meninas angustiadas
Desejando  altivez  
Barbaresca rigides
Crespa e Lisa na encilha
Roseteando alazão
Gemendo tudo outra vez

A noite foi de ardências
Velas se desmanchando
Entrevero adoçando
Toda rude maciez
Pelegos mel camponês
Amores em exaustão
Todos um só coração
Relva lua e os três

Choramingo era previsto
Vertem olhos na partida
Café com leite enfeitiça
Pães que diabas amassaram
As doçuras do estuário
Promessas voltar semana
Coreado por duas prendas
Saúde ao peão ordinário


Piuí Piuí Piuí

Maria fumaça passa
Fumegando sem parar
Carregando em suas andanças
Amores pra lá e pra cá
Sonhos adormecidos
Dormentes vão divagar
Aqueles que só vagando
Se encontram em algum lugar

Vai trenzinho fantasia
Disfarçar a solidão
Tu que vagas neste mundo
Levando sonhos em vão
Não esqueça de parar
Deixe magoas na estrada
Abasteça suas águas
Na estação de algum amar.

Faltando algo na linha
Não de importância ao vão
Qualquer dia eu te trago
Um recado da ilusão
Maria e sua fumaça
Cozinhando em fogão
Talvez um dia coloque
Nos trilhos meu coração.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tenho remorso do erro,
Andei teatino na chuva,
No povoado andei de luva,
Pilchado em calça e sapato,
Ovelha não é pra mato,
Quero voltar Timbaúva.


Gomercindo Medeiros Filho"Cindinho"

sexta-feira, 5 de março de 2010

 Liberdades Que Voam


Sestroso nasceu o dia
Rumores de movimentos
Querer tirar liberdades
Potro criado igual vento

Mangueira toda encilhada
Se boleou corcel bem perto
Perder na fúria um guapo
Só crinas em céu aberto

Não há moirões que escapem
Riscando patas no espaço
Gaudério voando em lombos
Seguro de seus guascaços

Animal xucro a contento
Vivendo junto a baguais
Pradarias campos livres
Vigília de ancestrais

Liberdade nesta vida
Tentarão queixo quebrado
Lutar no cabo da adaga
E se morrer lado a lado.