Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

sábado, 7 de novembro de 2009

Muralhas Missioneiras



Resquícios de uma muralha

Encontramos nas pastagens

Elas refletem a imagem

Tempos de rejeição

Fortes cravados no chão

Esboçam as amarguras

Erguidas com pedras duras

Alturas da ingratidão.

-

Contam negras histórias

De povo forte e valente

De tanta gente contente

Floresciam pelos pagos

Bebendo trago a trago

Sucos de uma cultura

Veio forte tropas sujas

Dizimar toda uma gente

-

Percebemos nas ruinas

Alicerce de um povo

Retidão em suas formas

Capricho em tudo rima

Rejuntado com a sina

De nunca abandonar

Esta terra tem um dono

Que se chama liberdade.

-

Parado beira da sombra

Amoitado sobre a cerca

Vejo lageado correndo

Fundos de nossos campos

Muralhas e seus encantos

Perpetuaram com gloria

Construtores na memória

Cerca viva pedra encanto

-

Pequena forte altura

Basta ser a divisão

Cheia de musgos então

Floridas em toda parte

Muralhas tu não voltaste

Cercas pedras vastidão

Apenas divida caminhos

Nenhum dele solidão

Avenidas Desconhecidas.




Em nossas caminhadas


Que estradas virão


Rua desconhecidas


Sem luzes,na contramão


Não podemos desistir


De enfrentar desilusão


Temos de percorrer


Estradas do coração




Tantos caminhos perdidos


Tantas pontes derrubadas


Mas resta nesta invernada


Pinguelas para passar


Se precisar vamos nadar


Não desistir nestas águas


Não levarão a mais nada


Somente magoas pro mar



Também confesso a ti


Meus rumos são tão incertos


Espinhos,pregos por perto


Ilusão em um sentir


Vamos virar isto aqui


Irmanados na labuta


Juntando nossos esforços


Sermos oásis aqui..

Abuchinchando


Abuchinchando o ambiente

Entro de canto na sala

Luz de candeeiro exala

Forte perfume das chinas

Me perdi em minha sina

Mal cheguei a balbuciar

Veio moça me agarrar

Dancei xote com a menina

*

Barbaresca esta névoa

Poeiras pitos fumaça

Quem não reza acha graça

Deste mundo escondido

Nos fundos do paraíso

Canto chucro pela noite

Impressão gato no coice

Bandonion com seus gemidos

*

Ponta de dedos viola

Rebuliço era gigante

Pequenos , ate os grandes

Dançando com suas prendas

Ruivas, brancas e morenas

Sonhavam em ombros toscos

Dali saíam no enrosco

Se amoitar pela fazenda

*

Eu que estava fincado

Bolixo bebendo canha

Tentiava tigra bonita

Sorria sem mais ter fim

Percebi um ser jasmim

Balaço em seu olhar

Quando seus cílios baixaram

Cravaram flechas em mim

*

Bela surgiu na cortina

Virei um cusco de arrasto

Faminto terneiro guaxo

O trago era dos fortes

Me segurei, tenho norte

Respirei, contei também

Deixei que aquele feitiço

Me carregasse pro além

*

Se boleou para meu lado

Estremecemos os dois

Não deixamos pra depois

A carreira estava atada

Nossas almas com anseios

Acolhi o corpo frágil

Enquanto seus belos seios

Represavam as vontades

*

Senti maldade bandida

Morena coração judiado

Ela não teve pena

Angustia, pobre de mim

Sabendo sempre do fim

Escreveu um só bilhete

Te vejo em algum baile

Um dia cuidará jasmim.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Frestas

Naquele rancho morava

Formosura, um encanto

Esgueirava pelos cantos

Desconfiada até das botas

Passava, ia na roça

Parecia explodir

Pulava feito um guri

Alegrias em mim brota.

.

Coração que titubeia

Campeando olhos nas frestas

Uma luz se manifesta

Exalando a bela flor

Desabrochar um amor

Incumbência felizarda

Coração é passarada

Revoada de esplendor

.

No piscar daqueles leques

Tremiam até os esteios

Rancho cravado anseios

Esperando roçador

Atropelos com ardor

Alguém que esta chegando

Almas lutam esperneando

Para ceder ao amor

.

Não dar importância ao fato

Mentiras, pura saliva.

Impossível suportar

Este olhar tosco atrevido.

Judia ate precavidos

Deve ter outros sentidos

No jogo da sedução

Ventos com negras melenas

Chicoteiam o coração

.

Agora rancho florido

Não há taperas

Houve um taura por perto

Que soube dar seu valor

Poemas, roças e suor

Viola apaixonada

Gaiteando dedos na estrada

Hoje rego esta flor..

Estrada

Tentar recompor passos

Sobressaltos desta vida

Argolas,trancas feridas

Cerceam o pensamento

Como encontrar tal talento

Para poder expressar

O que devemos falar

Para manter encantamentos

.

Quem não teve suas fraturas

Atire a primeira pedra

Não contestar os que pecam

Não aprenderam a orar

Seus caminhos respirar

Carregar sempre a brandura

Por não ter a alma pura

Jamais devemos parar.

.

Reponho o sono da noite

Até a lua descansa

Quando quer ela abranda

Soluços dentro de mim

Ter consciência do fim

Tudo isto natural

Ter certeza do normal

Que corre perto de mim.

.

Combustível para viajem

Amar sempre,todo dia

Rezar com a Mãe Maria

Ela auxilia no tranco

Não caíras,eu garanto

Nas tentações da lida

Encontraras a saída

Anseios de tua vida.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


Cindinho Medeiros tocando para Jaime Caetano Braum

Minha Terra

O galo cantou pra lua

Ordem veio do céu

No tapear do meu chapéu

Enxergo cerros tão belos

Campos verdes amarelos

Palco tantas labutas

Esta porção tem valor

Povo forjou-a na luta

*

Não contesto os estudos

Matuto peleja forte

Na guaiaca pouca sorte

Riquezas brotam no chão

Sou rico,colho o grão

Saciar toda a prole

Nestes campos, frio é forte

Sempre aguardamos verão

*

Já tentei medir com passos

A beleza minha terra

Investida sem efeitos

A magia está aqui

Campos que correm guris

Chinocas brotam do azul

Procurar alguém letrado

Explicar campos do sul

*

Fui buscar no Don Aurélio

Sábio nome com louvor

Fale a mim de meu reduto

Esclareça por favor

Dicionário ficou mudo

Não tem como relatar

Belezas de campos brutos.

*

A conclusão alcançada

Nos remete ao descanso

Terras aradas e brutas

Cerros campos e vertentes

Sem elas não há valentes

Os campos , a natureza

Somente serão completas

Se tiver a nossa gente.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Casa de Campo

Casa de campo fechada

Portas e suas tramelas

Trancas cinza nas janelas

Rendados suaves aranhas

Chão poeira pelas camas

Pecado forte explícito

Amores já no infinito

Brotaram flores nas gramas

...

Vassouras todas a postos

Baldes, panos, água também

Lavar amargos que tem

Em cada canto da casa

Não desprezar quem morava

Botando fora seus quadros

Guardar fundo, nos mascados

As vezes rever faz bem.

...

Pátio todo rasgado

Galhos secos, muitas urtigas

Tropas formigas atrevidas

Levando o verde que tem

Fazer acerto lá toca

Levem quem de mim não gosta

Não carreguem o meu bem..

...

Não ter chaves nem cadeado

Permitir abrir a porta

Ar que passa, aqui não volta

Levando o mofo odor

Com certeza vai a dor

Coração todo estropiado

Aguardando no cercado

O seu novo morador.