Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Missioneiro Encanto



Quando falo de meu pago

Em canto minhas verdades

Encosto mango no pingo

Marchando vai a saudade



Não preciso argumentos

Pra evocar tais sabores

Cantar de dia labutas

A noite os meus amores



Missões é minha cepa

Vertente de água boa

Na travessia de rios

Remos cantam na canoa



Voa canto Missioneiro

O espaço é tua morada

Sempre espera seu amor

No rancho junto a ramada.



Oigalete coisa osca

Não me tirem mais daqui

Parto cantando o

Rio Grande

Renascer um colibri.

resposta para Nei Lisboa sobre seu comentário; dizendo a música gaúcha ser intragável.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Sítio Água Doce - Santo Ângelo Rs

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BeLisCa

No trote deste alforje

Levando amores versejos

De arrasto vão os desejos

Cadeados em algum peito

Indagar por não ter feito

São tantas explicações

Uma delas tão bandida

Afogamos emoções



Arrepender-se na estrada

Quem não possui estes fardos

Dia e noite em compassos

Explicando os sofrimentos

Segredo é não ter lamentos

Perdoar ser perdoado

Somente assim há amor

Compreendendo sentimentos



De que adianta diploma

Entender todos aflitos

Coração clama abrigo

Calcinado na saudade

Não existe faculdade

Para explicar a dor

Devemos ser todo amor

Carinho e fraternidade





Entender mal entendido

Rogamos na oração

No cepo em algum galpão

Mascamos nossas verdades

Desgarrar das falsidades

Enfrentar somos valentes

Apenas um ser contente

Amar em todas idades.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Enseadas

Quando aportar ansiado
Carente de tais reparos
perceber nesta enseada
Recompor ser naufragado
porões todos manchados
a dor de algum negreiro
só tinha um passageiro
restos trancafiados

Sentir a brisa no rosto
sereno que vem de longe
orquestrado por um monge
aquele que a  nós conduz
retira peso do andor
tempestade é de carinho
acalma mares revoltos
fecundando a bela flor.




Calçando a terra firme
receber força no abraço
amparado pela prenda
sentenciado a acolhida
dividir esta oferenda
repartir com Iemanjá
eu voltando para os pagos
ela cuidar todos no mar

Pulei no lombo do pingo
planícies montes eu vi
andei muito insisti
chegar logo em meu rancho
hoje lhes garanto
meu oceano é verde
enfrento todos os mares
qualquer um cruzo por ti.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Rio Uruguai

Uruguai, cancha das águas
Entre Argentina e Brasil
Num disparadão sutil
lembra o velho Boitatá
onde os do lado de lá
conservam magoas oriundas
porque as águas mais profundas
pendem pró lado de cá

Existem lagos nos contos
amores com adultério
mas não concentram mistério
no seu romance de artista
este sangão nativista
o único idioma que fala
é o turumbamba de bala
do velho contrabandista

Faz estropícios no mapa
com sua menção freqüente
é só não tem descendente
é crioulo do luar
tem um corpo sabe amar
tem sofrimento e consolo
e o Piratini crioulo
é seu vazo capilar

Uruguai das ilhas grandes
farol mudo do balseiro
antigo chão brasileiro
que dantes dera bochinchos
mui quebrador de corinchos
não é como as praias belas
em vez de lindas donzelas
tem rebanhos de capinchos

Águas claras quando calmas
barrentas quando agitadas
solução nas enxurradas
dores das almas pagãs
volta a vida nas manhãs
as cachoeiras vão cantando
e os dourados patrulhando
cardumes de grumatãs

Uruguai das barras tristes
que o nambu vive cantando
e o barco do contrabando
corta o rio calmo e parelho
não foi falta de conselho
e um tiro acorda o espaço
e o gaúcho de um balaço
pinta as águas de vermelho

A noite cruza e clareia
e o taura não aparece
e novamente anoitece
a costa torna um pavor
o bugiu compreende a dor
decerto ao homem venera
um rancho ficou tapera
e uma china sem amor

A morte deixa recuerdos
principalmente ao gaúcho
que desenha no cartucho
uma revanche,um desengano
quando encontra o castelhano
no mesmo rio meio afoito
num berro de trinta e oito
la guarda perde um paisano

Mais abaixo vem a ponte
que é o ajoujo da amizade
liga cidade a cidade
a ponte continentina
soltam a mesma resina
e o Uruguai beija os nubentes
ou casal de continentes
Pai BRASIL, mãe ARGENTINA.

Gomercindo Medeiros Filho( Cindinho Medeiros)
 Estância da poesia crioula 1964

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Atados


Guasqueiro que trança vida

Cincha veia de pescoço

Forceja feito uma junta

Boi Pitanga e Caroço



De que valia na vida

Tantos nós a desatar

Já sabemos o remédio

Devemos sempre andar



Pé direito só funciona

Se esquerdo acompanhar

Levar as coisas mais leves

Melhor maneira de amar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Paisagens do Rio Grande

 Quando meus lábios murmuram
acariciando o versejo
sinto apontar um desejo
na volta do pensamento
não sou cantor de talento
mas quando penso e cantando
as rimas me vão clareando
como a luz do firmamento

Sou um cantor missioneiro
conservo a fidelidade
aluno na faculdade
de Hernandes meu monumento
aconselha este talento
aos filhos que vão cantar
o poeta deve primar
por versos de fundamento

Canto a manhã,canto a tarde
canto a noite, a madrugada
canto a terra mais sagrada
porque o cantar me extasia
canto a várzea na harmonia
de um silencio sublimado
vivo sempre perturbado
no perfume da poesia

Sou humilde apaixonado
da eterna natureza
e curvo-me a realeza
por conceder-me um consolo
pois este mundo é um monjolo
acariciando as imagens
soltando o pó nas paisagens
do continente crioulo

Afirmo que o grande mestre
num aceno com seu manto
fez do Rio grande um encanto
e a criação deu a aula
e o próprio estrangeiro maula
vai encantar seus turismos
nos pitorescos abismos
de São Francisco de Paula

O pintor deste cenário
com maestria imagina
só pode ser mão divina
dando um retoque diverso
e o demais canto em meu verso
por este amor que é tão grande
pois os campos do Rio Grande
são os jardins do Universo

Quando pintaram meus pagos
verteram lindas lagoas
brotavam como coroas
mais doces que o próprio mel
algum santo no painel
depois de tais formosuras
deu sumiço nas pinturas
jogando fora o pincel

Enfeitam nossas paisagens
garças brancas sonolentas
todas as sangas são bentas
com maravilhas disertas
mundo aparte sem profetas
Rio Grande culto e agreste
é o mesmo reino celeste
mas os santos são os poetas

Cindinho Medeiros ( In Memorian )

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Afagos






Afagos que me acalmam


Suaves mãos seda vinho


Candeeiros que incendeiam


Escurecer em meu ninho






Tão leve tuas caricias


Delicias provocam sim


Remôo corpo aflito


Querendo tudo em mim.






No frigir desta entrega


Sorvo lábios com veneno


A cura destas mordidas


Deleite junto ao sereno






Carece sempre ao peão


Na volta destas tropeadas


O carinho de um lar


Doçuras de uma amada.

Olhos

Teu olhar
Cigana estrada
Não para de balançar
Cincerros dentro do peito
Lembrando águas do mar.

Fugindo a tua mira
Solito fico a pensar
Tendo você em meus braços
Teus olhos pode fechar.

Nunca perdi o teu rumo
Migalhas tive de achar
Encontrei teu novo rastro
Cílios sempre a marcar
Argumentei o que faço
Vitória que não desfaço
Somente por te amar.



Fazenda Figueira

Na fazenda da Figueira
Viviam sempre faceiras
Clarinha com mechas curtas
Cabelos longos Morena

Difícil imaginar
Amor com ar alçapão
Duas apaixonadas
Pelo taura do rincão

Ele sempre violeiro
Não faltava na guaiaca
Famoso pelas festanças
Bailes, outras fuzarcas

Carreira já estava atada
Partilhar o mesmo prato
Taura sempre que ia
Duas iam ao quarto

Sôfregos em disparada
Suavam correndo rios
Naqueles campos gelados
Além do frio nenhum pio

O canário acordou
Voltaram a realidade
Começava a partilha
Repartir a tal saudade

Após tantas primaveras
Corriam pelas vertentes
Menino claro encantado
Chinoquinha lindamente

Apartado deste sonho
Lembravam ser altaneiro
Quem cuidou foi duas mães
Quem partiu nunca inteiro.

Caborteira esta vida
Degustar mesmo fervor
Talvez o sonho conceba
Repartir o mesmo amor

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Aquartelar







Aquartelar o sossego


Redescobrir rios em cantos


Conviver meio a caranchos


Precisa habilidade


Desprender da falsidade


Garras sempre ao largo


Qualquer cordeiro incauto


Cuidar-se ou devorado.






Maravilhas encontradas


Parar e saborear


Tempo há de sobrar


Para sorver esta lida


Preciosa igual querida


Que deixamos esperando


Sempre sonhar voltando


É o elixir da vida






Assim é o traço campeiro


Empunhar seus argumentos


Requer sair do relento


Sombrear continuidade


Afagar a claridade


Cuidar sempre do seu ninho


Tudo é como passarinho


Depois do vôo a saudade.

Pezinho

Teu pezinho trinta e quatro
Difícil de eu achar
Sapatinhos com brilhantes
Estes voce vai ofuscar

Se não achar um que caiba
Prontamente convocar
Anjos para te alçarem
Teus pés não arranhar.




Tranças

Conheci uma menina
Voava sempre as tranças
Eu brincava de carinho
Ela sempre de esperança

Tempo passou danado
Não existe mais criança
Meu carrinho de carinhos
Guardo cheio de lembranças

O sumo deste bom fruto
Nós devemos degustar
Nunca esquecendo a saudade
Destas tranças a voar.


Voar

Quando parte um querido
Difícil de suportar
Uma saudade latente
No peito vem a judiar

Rumo não nos compete
Isto é um tal de vem e vai
Amanhã numa tropeada
Nos trocamos de lugar

Ensinamento completo
Pai do céu nos explicou
Soltemos suas amarras
Já cumpriu sua jornada
Com a brisa ele voou .


Duas Mãos


A dupla só é perfeita
Se derem sempre as mãos
Esquecendo o ditado
Alguém acaba no chão


Pensar





Não pense muito querida


Pois pensar acaba em vão


Raciocine com firmeza.


Achará a solução.