Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Frestas

Naquele rancho morava

Formosura, um encanto

Esgueirava pelos cantos

Desconfiada até das botas

Passava, ia na roça

Parecia explodir

Pulava feito um guri

Alegrias em mim brota.

.

Coração que titubeia

Campeando olhos nas frestas

Uma luz se manifesta

Exalando a bela flor

Desabrochar um amor

Incumbência felizarda

Coração é passarada

Revoada de esplendor

.

No piscar daqueles leques

Tremiam até os esteios

Rancho cravado anseios

Esperando roçador

Atropelos com ardor

Alguém que esta chegando

Almas lutam esperneando

Para ceder ao amor

.

Não dar importância ao fato

Mentiras, pura saliva.

Impossível suportar

Este olhar tosco atrevido.

Judia ate precavidos

Deve ter outros sentidos

No jogo da sedução

Ventos com negras melenas

Chicoteiam o coração

.

Agora rancho florido

Não há taperas

Houve um taura por perto

Que soube dar seu valor

Poemas, roças e suor

Viola apaixonada

Gaiteando dedos na estrada

Hoje rego esta flor..

Estrada

Tentar recompor passos

Sobressaltos desta vida

Argolas,trancas feridas

Cerceam o pensamento

Como encontrar tal talento

Para poder expressar

O que devemos falar

Para manter encantamentos

.

Quem não teve suas fraturas

Atire a primeira pedra

Não contestar os que pecam

Não aprenderam a orar

Seus caminhos respirar

Carregar sempre a brandura

Por não ter a alma pura

Jamais devemos parar.

.

Reponho o sono da noite

Até a lua descansa

Quando quer ela abranda

Soluços dentro de mim

Ter consciência do fim

Tudo isto natural

Ter certeza do normal

Que corre perto de mim.

.

Combustível para viajem

Amar sempre,todo dia

Rezar com a Mãe Maria

Ela auxilia no tranco

Não caíras,eu garanto

Nas tentações da lida

Encontraras a saída

Anseios de tua vida.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


Cindinho Medeiros tocando para Jaime Caetano Braum

Minha Terra

O galo cantou pra lua

Ordem veio do céu

No tapear do meu chapéu

Enxergo cerros tão belos

Campos verdes amarelos

Palco tantas labutas

Esta porção tem valor

Povo forjou-a na luta

*

Não contesto os estudos

Matuto peleja forte

Na guaiaca pouca sorte

Riquezas brotam no chão

Sou rico,colho o grão

Saciar toda a prole

Nestes campos, frio é forte

Sempre aguardamos verão

*

Já tentei medir com passos

A beleza minha terra

Investida sem efeitos

A magia está aqui

Campos que correm guris

Chinocas brotam do azul

Procurar alguém letrado

Explicar campos do sul

*

Fui buscar no Don Aurélio

Sábio nome com louvor

Fale a mim de meu reduto

Esclareça por favor

Dicionário ficou mudo

Não tem como relatar

Belezas de campos brutos.

*

A conclusão alcançada

Nos remete ao descanso

Terras aradas e brutas

Cerros campos e vertentes

Sem elas não há valentes

Os campos , a natureza

Somente serão completas

Se tiver a nossa gente.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Casa de Campo

Casa de campo fechada

Portas e suas tramelas

Trancas cinza nas janelas

Rendados suaves aranhas

Chão poeira pelas camas

Pecado forte explícito

Amores já no infinito

Brotaram flores nas gramas

...

Vassouras todas a postos

Baldes, panos, água também

Lavar amargos que tem

Em cada canto da casa

Não desprezar quem morava

Botando fora seus quadros

Guardar fundo, nos mascados

As vezes rever faz bem.

...

Pátio todo rasgado

Galhos secos, muitas urtigas

Tropas formigas atrevidas

Levando o verde que tem

Fazer acerto lá toca

Levem quem de mim não gosta

Não carreguem o meu bem..

...

Não ter chaves nem cadeado

Permitir abrir a porta

Ar que passa, aqui não volta

Levando o mofo odor

Com certeza vai a dor

Coração todo estropiado

Aguardando no cercado

O seu novo morador.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tapera Morena

Conheci uma morena

Fazenda Figueira Bela

Ficava só na janela

Olhando boiadas passar

Seu semblante, seu olhar

Perdia-se na poeira

Não emitia sorriso

Só tristezas carregar.

...

Seus cabelos refletiam

No breu amando da lua

Nunca fechava seus olhos

Seu medo forte era amar

Passaram mil comitivas

Todas coração judiados

Morena bela da estância

Machado jambo afiado

...

Um dia voltei fazenda

Não vi morena, nem rastros

Aquilo foi um laçasso

Aterrou toda vertente

Rebenque açoitou a mente

Não mentem desejos fartos

Carregamos estes fardos

De não amar tanta gente.

...

Morena foi com vento

Morar em outro lugar

Depois de solto no ar

As trilhas desaparecem

Bilhete roga na prece

Parto com meus lamentos

É o pior dos elementos

Não foi talhado no amar.

...

Hoje contam nos bolichos

Histórias dores constantes

Morena que sofreu dantes

Nunca soube seu amar

O peão que lhe cuidava

Descuidou, deixou secar

Uma semente tão bela

Brotou florestas que há.

...

Tapera beira da mata

Figueira frutos na sombra

Agora vou na memória

Levar a tropa engordar

Lembrar sempre este lugar

Quem esquece, não tem rota

Abrindo fendas nas grotas

Morena semeou seu amar.

Domador

Quando no espaço se doma

Requer mais que fortes braços

Ter certeza que a dona

Domou o taura no abraço.

*

Ação deleite das almas

Remete sempre ao chão

Domador só é domado

Se pego no coração.

*

Após cinchado bem forte

Desespero sempre em fúria

resistir calor tão forte

Invadir a pele dura.

*

Depois do queixo quebrado

Tem festa, Ave Maria

Domador torna-se nobre

Com a china e a cria.

*

Contemplar todos os dias

Fazenda Rincão Sossego

Espraiar seus horizonte

Domando a vida, sem medos.

domingo, 18 de outubro de 2009

Pai do céu

Pai do céu que nos protege

Que cuida nossas andanças

Ilumine nossas idas

Nos de vinda com esperança..

Recomeçar

Recomeçar todo dia

Esperança verdadeira

Jamais abandonar a luta

Desta terra missioneiro.

Missões

Minha missão todo dia

Honrar o nome suar

Cedo começa luta

Tardinha rancho luar.

Morena

Guarde teus cílios morena

Me guarde em teu olhar.

Se parto, saudade mata

Se volto morro de amar.

Bem cedo

Bem cedo saio solito

Labutas luta virá.

Tardinha volto no rastro

Minha casa, encanto, meu lar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Garça

Garça voou das águas

Espelho que lá deixou

Cruzou o cerro ao longe

Só penas aqui ficou

*

Garrão levando sementes

Aguadas que semeou

Partindo com suas mágoas

Partiu também seu amor

*

Pedregulhos nos anseios

Vento bate no capim

As águas desta canhada

Correm seu rumo enfim

*

Branco bateu lá no céu

As águas refletem sim

O rosto da bela amada

Um dia fugiu de mim.

Nada Toca

Planta rara beleza

Rasteira em seu retoque

Orvalho não refrescava

Dorme Dorme não me toque

...

Sensível a raios do sol

Escondida entre os bosques

Amava só , nunca a dois

Dorme Dorme não me toque

...

Não partilhava a sombra

Queria ter em sua posse

Todos capins fustigara

Dorme Dorme não me toque

...

Incerta na incisão

Para viver toque a toque

Macega linho sombreado

Nada acorda , nem o Toque

...

Cedo dedos no tocar

Lembranças e os bodoques

Amores ventos passaram

Ficou só, ela sem Toque

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fisgado

Recolho pingos serenos
Vasilhas sempre ao tempo
No rancho fogo de chão
Lenha chora seus lamentos
O anzol vai para o fundo
Jogado morrer do dia
Sempre que rogo uma prece
Destino a ver Maria

Uruguai meu rio corrente corredeiras de alegrias
As águas que aqui passaram um dia trarão Maria

No tranco forte da linha
Minha isca é lambari
Saltam dourados no céu
Amores aqui vivi
São pintados são piavas
Armados , muito pati
Não fisguei a minha amada
Como as águas , vi partir

Uruguai meu rio corrente corredeiras de alegrias
As águas que aqui passaram um dia trarão Maria
Alquimia

Caldeirão , saiu morena
Seu nome era infinito
Tinha pequeno defeito
Não enxergava o bonito

É difícil de entender
Tanta beleza exposta
Por morar em tal altura
Não alcança mais as rosas

Deve ser o sofrimento
A fogueira enfrentar
Uma margem tem espinhos
Na outra carinho há

Seguiu forte contra o vento
Não desistiu de tentar
Senhor que nos protege
Senhora protegerá

Seu sorriso rebrotou
Alquimia revelar
Consertou o seu defeito
Feio ou belo sempre amar

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Minhas Tramas

Passei o dia tramando
cerca da liberdade
farpados que nela existem
cortei as pontas saudades
doze fios de esperanças
no toque desta canção
somente tem rima certa
quem possui teu coração

Fiz trançados de esperança uni meus argumentos
passei a noite cantando amores, meus sentimentos
rezo dia e noite clarear meus argumentos
morrer nestes teus braços ter você mais um momento

Palanques no chão fincado
meu rancho está descoberto
os ventos desta amargura
levaram todo meu teto
hoje cubro esperança
capim de um santa fé
ainda meu teto terá
o amor desta mulher

Fiz trançados de esperança uni meus argumentos
passei a noite cantando amores, meus sentimentos
rezo dia e noite clarear meus argumentos
morrer nestes teus braços ter você mais um momento

Agora tudo é esmero
fartura em nosso chão
amores a mim voltaram
uma boa conclusão
mas tem um furo no peito
como negar isto enfim
ainda te guardo quietito
bem junto, junto de mim.

Fiz trançados de esperança uni meus argumentos
passei a noite cantando amores, meus sentimentos
rezo dia e noite clarear meus argumentos
morrer nestes teus braços ter você mais um momento.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Solito

Solto galope do vento aproveitando o frescor
tranças de algum amor troteando junto de mim
anjos e querubins acompanham a jornada
talvez na madrugada precise luzes em mim

Caminho largo das pedras refletem tranco do alforje
meu cavalo bicho nobre flutua pelas planícies
nunca foi uma crendice sonhos sempre melhoras
me mando campo afora colher labutas no ofício

Vejo escuridão rondar não me assusto cara feia
negro talhado a facão este horizonte vermelho
não possuo este receio de no inferno entrar
com certeza vou dar conselhos ao bicho feio

Não me assusto gritaria acelero meu corcel
levo junto muito mel adocicando as paragens
muitas destas paisagens carrego dentro do peito
sei , não tenho o direito esconder minha viagem

Noite que não dá trégua podemos até medir
puxa a trena aqui e ali tentando dar seus limites
acompanhem os que tristes sabem destas paragens
vamos unir coragem, unidos vamos seguir

Como tem gente na estrada se culpando pelos fardos
esquecem estes na vida de a vida possuir
que falar destes guris que partem loco de cedo
sem chance,com muito medo ,das coisas que estão porvir

Acelero o meu pingo sei da luz que me protege
não importa se esta aragem resfrie tudo na vida
cada galope atrevido me sinto rei dos meus pagos
se te perder no caminho , volto no mesmo instante
guardar sonhos constantes de viver lado a lado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Meus Cachos


Moro em uma margem,com minhas águas valentes
queria varar este rio , para te ver novamente
não consegui um caíque, caborteiro amor mulher
atire teus cachos louros, enrede se me quiser

Vai clareando rios ardentes
lavar os limos do baixo
as tuas magoas se findam
se me agarro em teus cachos
vão cachoeiras, rios candentes
hoje entendi o amar
se bater a tal saudade
teus cachos me enredar

Depois que mudei de margem, os males se acabaram
fartura dos meus amores, nunca mais me afundaram
hoje na seriedade, deixei de ser um devasso
só não pude me livrar dos encantos de teus cachos

Vai clareando rios ardentes
lavar os limos do baixo
as tuas magoas se findam
se me agarro em teus cachos
vão cachoeiras, rios candentes
hoje entendi o amar
se bater a tal saudade
teus cachos me enredar