
blog em permanente mudança,como a vida "Meu desejo é que minha pena alivie as suas penas" Pio Medeiros
Penas do Pio
domingo, 8 de novembro de 2009
Carreteiro de Charque
Amanheceu dia encanto
Passarada destemida
Decerto toque de Midas
Tudo reluz na campanha
Sol que nasce na manhã
Mirando quem vem na frente
Cruzando o dia contente
Pelos campos, pelas sangas.
.
Chaira que escuta forte
Adaga aço tesouras
Cortaram muita lã boa
Seqüência desta tal lida
Hoje assumem destemidas
Profundo corte na carne
Preparo de fartas mantas
Cedo até fim da tarde
.
Gado enfileirado
Carne sempre de primeira
Tendéu não é brincadeira
Estouro desta boiada
Passa a faca, enfia adaga
Sangue sova terra rasa
Lutas de fortes quéras
Bagos sempre na brasa
.
Verga peso do charque
Sal que luta com suor
Enxuga carne de sol
Preparo exímio saber
Sempre vão abastecer
Ganchos pelas paredes
Nacos iguaria cortados
Saciar nossos prazeres.
.
Arroz da casca crioula
Banha algum capincho
Rastros deste instinto
Panela de ferro atrai
Fogo não se distrai
Geme forte até arder
Impressão ele querer
Bailar lá no Sapucai
.
Pão milho da roça
Garapa cana do braço
Cachaça branca laçasso
Acompanham ritual
Não me levando a mal
Sorvia amargo brejeiro
Lembrando amores costeiros
Coração adoçou sal.
.
Completamos nosso rito
Tarde com sono finda
Arvoredos varas finas
Passarada balançava
Gente boa, tudo em casa.
Preparando seus miangues
Amanhã bem cedo partem
Carretas desta charqueada..
sábado, 7 de novembro de 2009
Muralhas Missioneiras

Resquícios de uma muralha
Encontramos nas pastagens
Elas refletem a imagem
Tempos de rejeição
Fortes cravados no chão
Esboçam as amarguras
Erguidas com pedras duras
Alturas da ingratidão.
-
Contam negras histórias
De povo forte e valente
De tanta gente contente
Floresciam pelos pagos
Bebendo trago a trago
Sucos de uma cultura
Veio forte tropas sujas
Dizimar toda uma gente
-
Percebemos nas ruinas
Alicerce de um povo
Retidão em suas formas
Capricho em tudo rima
Rejuntado com a sina
De nunca abandonar
Esta terra tem um dono
Que se chama liberdade.
-
Parado beira da sombra
Amoitado sobre a cerca
Vejo lageado correndo
Fundos de nossos campos
Muralhas e seus encantos
Perpetuaram com gloria
Construtores na memória
Cerca viva pedra encanto
-
Pequena forte altura
Basta ser a divisão
Cheia de musgos então
Floridas em toda parte
Muralhas tu não voltaste
Cercas pedras vastidão
Apenas divida caminhos
Nenhum dele solidão
Avenidas Desconhecidas.

Em nossas caminhadas
Que estradas virão
Rua desconhecidas
Sem luzes,na contramão
Não podemos desistir
De enfrentar desilusão
Temos de percorrer
Estradas do coração
Tantos caminhos perdidos
Tantas pontes derrubadas
Mas resta nesta invernada
Pinguelas para passar
Se precisar vamos nadar
Não desistir nestas águas
Não levarão a mais nada
Somente magoas pro mar
Também confesso a ti
Meus rumos são tão incertos
Espinhos,pregos por perto
Ilusão em um sentir
Vamos virar isto aqui
Irmanados na labuta
Juntando nossos esforços
Sermos oásis aqui..
Abuchinchando
Abuchinchando o ambiente
Entro de canto na sala
Luz de candeeiro exala
Forte perfume das chinas
Me perdi em minha sina
Mal cheguei a balbuciar
Veio moça me agarrar
Dancei xote com a menina
*
Barbaresca esta névoa
Poeiras pitos fumaça
Quem não reza acha graça
Deste mundo escondido
Nos fundos do paraíso
Canto chucro pela noite
Impressão gato no coice
Bandonion com seus gemidos
*
Ponta de dedos viola
Rebuliço era gigante
Pequenos , ate os grandes
Dançando com suas prendas
Ruivas, brancas e morenas
Sonhavam em ombros toscos
Dali saíam no enrosco
Se amoitar pela fazenda
*
Eu que estava fincado
Bolixo bebendo canha
Tentiava tigra bonita
Sorria sem mais ter fim
Percebi um ser jasmim
Balaço em seu olhar
Quando seus cílios baixaram
Cravaram flechas em mim
*
Bela surgiu na cortina
Virei um cusco de arrasto
Faminto terneiro guaxo
O trago era dos fortes
Me segurei, tenho norte
Respirei, contei também
Deixei que aquele feitiço
Me carregasse pro além
*
Se boleou para meu lado
Estremecemos os dois
Não deixamos pra depois
A carreira estava atada
Nossas almas com anseios
Acolhi o corpo frágil
Enquanto seus belos seios
Represavam as vontades
*
Senti maldade bandida
Morena coração judiado
Ela não teve pena
Angustia, pobre de mim
Sabendo sempre do fim
Escreveu um só bilhete
Te vejo em algum baile
Um dia cuidará jasmim.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Frestas
Naquele rancho morava
Formosura, um encanto
Esgueirava pelos cantos
Desconfiada até das botas
Passava, ia na roça
Parecia explodir
Pulava feito um guri
Alegrias em mim brota.
.
Coração que titubeia
Campeando olhos nas frestas
Uma luz se manifesta
Exalando a bela flor
Desabrochar um amor
Incumbência felizarda
Coração é passarada
Revoada de esplendor
.
No piscar daqueles leques
Tremiam até os esteios
Rancho cravado anseios
Esperando roçador
Atropelos com ardor
Alguém que esta chegando
Almas lutam esperneando
Para ceder ao amor
.
Não dar importância ao fato
Mentiras, pura saliva.
Impossível suportar
Este olhar tosco atrevido.
Judia ate precavidos
Deve ter outros sentidos
No jogo da sedução
Ventos com negras melenas
Chicoteiam o coração
.
Agora rancho florido
Não há taperas
Houve um taura por perto
Que soube dar seu valor
Poemas, roças e suor
Viola apaixonada
Gaiteando dedos na estrada
Hoje rego esta flor..
Estrada
Tentar recompor passos
Sobressaltos desta vida
Argolas,trancas feridas
Cerceam o pensamento
Como encontrar tal talento
Para poder expressar
O que devemos falar
Para manter encantamentos
.
Quem não teve suas fraturas
Atire a primeira pedra
Não contestar os que pecam
Não aprenderam a orar
Seus caminhos respirar
Carregar sempre a brandura
Por não ter a alma pura
Jamais devemos parar.
.
Reponho o sono da noite
Até a lua descansa
Quando quer ela abranda
Soluços dentro de mim
Ter consciência do fim
Tudo isto natural
Ter certeza do normal
Que corre perto de mim.
.
Combustível para viajem
Amar sempre,todo dia
Rezar com a Mãe Maria
Ela auxilia no tranco
Não caíras,eu garanto
Nas tentações da lida
Encontraras a saída
Anseios de tua vida.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minha Terra
O galo cantou pra lua
Ordem veio do céu
No tapear do meu chapéu
Enxergo cerros tão belos
Campos verdes amarelos
Palco tantas labutas
Esta porção tem valor
Povo forjou-a na luta
*
Não contesto os estudos
Matuto peleja forte
Na guaiaca pouca sorte
Riquezas brotam no chão
Sou rico,colho o grão
Saciar toda a prole
Nestes campos, frio é forte
Sempre aguardamos verão
*
Já tentei medir com passos
A beleza minha terra
Investida sem efeitos
A magia está aqui
Campos que correm guris
Chinocas brotam do azul
Procurar alguém letrado
Explicar campos do sul
*
Fui buscar no Don Aurélio
Sábio nome com louvor
Fale a mim de meu reduto
Esclareça por favor
Dicionário ficou mudo
Não tem como relatar
Belezas de campos brutos.
*
A conclusão alcançada
Nos remete ao descanso
Terras aradas e brutas
Cerros campos e vertentes
Sem elas não há valentes
Os campos , a natureza
Somente serão completas
Se tiver a nossa gente.