Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Forte sangue tiaraju
Cavalo criado em grama
Fica esperando nos campos
Amor que acalma e doma
Potranca linda ventana
Clinas enrrudilhadas
Promessa feita bem cedo
Parceira e sua amada.




segunda-feira, 8 de novembro de 2010


Sorriso


Quando abro os meus olhos
Uma explosão me invade
Teu sorriso alumia
Clareando em mim divindade


Oferta a mim uma ceia
Seus contornos macanudos
Me delicio na prova
Destes teus lábios carnudos


Enveredo pelos cerros
Buscando água na fonte
Saciando a sede no passo
Na vista outro horizonte


Me achego pelo riacho
Eta água caborteira
Depois rumamos pra casa
Muitas flores estradeiras.


-- 
Sombreado

Tranquila sombra nos campos
Guarida aos passantes
Recolhe sobras de vidas
Destes com alma distante


Água seiva a quem tem sede
Folhas tiram cicatrizes
Frutas derramam mel
Saciam os infelizes 


Raízes sempre profundas
Cavocamos  ilusões
Revigorando a empreitada
Pobre destes corações


Serventia sem igual
No tempo ficou cravada
Solita sombra pampeana
Acolheu tantos na estrada


Agora possui seu sonho
Ser floresta encantada
Descobrir uma semente
Talvez seja sua amada.

domingo, 7 de novembro de 2010

Teu Pé

Extraviado no canto
encantos ressuscitei.
Pelegos leito sagrado
mulheres todas amei

Remoo o pensamento,
extraindo pura uva
Adocicando esta vida
quem não vive não se iluda.

Cade todos os amores
Aonde foi a indecencia
Cade o jogo de ardores
causaram tua ausencia

Insana busca impiedosa
Riachos  enfim repartir
Matas de afetos brotaram
Um pé deu saudade de ti.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Libélula

Inflo meu peito
não questiono o volume
suspiros são um direito
borboleta tu que voa
sempre feliz a cantar
me diga aonde encontro
este ardor que desnorteia
meu amor libélula


Medo que ronda o ar
solavancos na memória
Pantera a se esgueirar
Calcinada pelo fogo
enxerga cordeiro lobo
corrente terra arrastar

Como explicar tanta gente
Truncado jogo do amar
existe gozo maior?
rio negro emana paz
unindo algo tão raro
terra sol azul do mar

Volta!
volta e meia vamos dar
tentando bater asas
formando as revoadas
um dois três sempre a voar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pegadas

Vastidão chuva que amansa
Gotejos dançam na sala
Enquanto que a menina
Descalça a alça e saia

Cheiro de terra molhada
Encardidos de paixão
O que nutrimos na alma
Demonstramos pelo chão

Sábia anunciou laranjeiras
A terra vai respirar
Provoca enfim abundância
Neste teu jeito de amar

È o encanto dos pagos
Amores, sabores há
Ninguém some com os sonhos
Sempre ficam suas pegadas

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Entendimentos

Bem cedo sol radiante
Empurra todos da cama
Constatar estar vivendo
Gritar, dizer que ama

Beber pingos de vida
Perder? nenhum segundo.
Tatear seu rumo no espaço
Tua parte neste mundo

Dividir com os amigos
Perceber a passarada
Receber frescor dos ventos
Piquenique e namorada

Porém devem atento estar
Viajantes pelos tempos
Requer cruzar as estradas
Apartado dos lamentos.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Afogados



Brilhante como seus olhos
hoje te dou meia lua
Ofusca minha visão

Saudade que é minha e tua.

Águas mansas que bravias

acolhem vidas passantes

Quem não carrega consigo

almas de retirantes.



Vulcanizamos desejos

sedimentando sabores

Estrelas que se alimentam

dia e noite com amores.

Irmão
Balbuciei umas palavras
entristeci no pensar
perdi o rumo da história
extraviei seu olhar

Era único pertence
tua voz sequer ouvi
imagens que se desfazem
veloz como colibrí.

Agora o tempo passou
nossos vão passar também
pagamos caro na vida
acreditando em alguém.

Nunca estive em teu corpo
nem te acordei de manhã
vou aliviar meu peito
te tratar como irmã.

Clarão
A lua saiu mais cedo
Invadiu pátio vazio
Claridade evocada
Cão que ladra para o cio

Ninguém pode alcançar
Este corpo que celeste
Emana ardor as almas
Ama todos e padece.

Sol traz a gargalhada
Quem caiu já levantou
Serena lavou o rosto
Quem partiu não mais voltou

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vivo



Minha terra acordou
horizontes com vigor
suor que lava o rosto
ser de mim o meu senhor.

Nada tira a liberdade
correntes todas quebradas
O trabalho é que liberta
jamais esquecer da amada.

Escultura com ramas de mandioca
autor Pio Medeiros
Um Dia


Sonhos que nos conduzem
a noite o rastro aparece
tantas estrelas chamando
um parceiro,uma prece.
Dia de vento seco
anseios dos que entristecem
visão turvada no peito
se o amor não aparece.
Negrinho do Pastoreio
acendo vela pra ti
troteio pelos teus campos
deixa eu sempre ser guri.
Amanhã quando eu saber
coisas que não sei então
vou semear no infinito
lavouras só de irmãos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bradou o canto do Norte
de repente o mundo inteiro
capitaneado e polidos 
por um taura Seu Ribeiro
segue o baile das canturas
poetas oram o que cremos
é honra para um gaúcho
aprender com mestre lemos
esta fincado o mastro
Brasil é só um inteiro
nossas lutas são travadas
guerreiros com seus gorjeios.


 

domingo, 3 de outubro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pialado

Cevando meu canto sul.
Vou-me encontrar
lá tão fundo.
Ahh
tão mundo.
Aquilo que por sentir
ficou rijo
eu corrijo!!
Se dirijo
serei feliz?
Mas deve ter a razão
a quilo é complicado 
Maneador de coração
que nem posso sentir
feliz com tudo que fiz
mastigo minha oração

quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Céu Finito



A funda foi com bodoque
Pedra que o mar cruzou
Acertando a existência
Cabocla não mais amou



Morena que gostou tanto
Sente que hoje perdeu
Sua cor e sua língua
Colhe espinhos como eu



Semente não se plantou
Sua memória é estranha
Perdeu rumo e sua essência
Despencou em suas entranhas



Não mais é uma cabocla
Sumiu até sua vaidade
Foi morar lá bem distante
Cavernas na eternidade



Trocou novos caminhos
Diário entristeceu
Seu mundo não tem doçuras
Nossa semente morreu.
ARvoredo

Recebe de mim alpiste
Canário dentro de mim
Alimenta minha alma
Jujubas, coisas assim.
Não há trancas na gaiola
é liberta a emoção
cercas com seus farpados
são cordas do meu violão.
Voa muitos pensamentos
Deixe o vento te enfrentar
Receba tudo a seu tempo
Todos eles são de amar.
Cigarras 

Oigaletê tranco aflito
Remoendo pensamentos 
Sempre busco no infinito
Elixir a meus lamentos
São passos que por valente
Devemos sempre imprimir
Não nos dando por vencidos
Em qualquer mero existir

Adagas lutam com lanças
Missoneiro meu porvir
Plenitude se alcança
Guerreiro desde guri
Tracei meu rumo certo
Nunca sou de desistir
Na guerra luto no tapa
Qualquer caminho por ti.


Não desdenho a cigarra
Formigas retiram a cor
Adoçando paisagens
Não salgo tanto o suor
Nossos cantos se misturam
Nas essências com sabor
Esperança de quem canta
Um dia morrer...de amor