Penas do Pio

Poesia Missioneira

suporte do blog - Ricardo Kraemer Medeiros (Pio)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Canoa

Rasgou água no meio
Minha canoa varou
Levando todo os versos
Uruguai ela cruzou
Remos de puro louro
Silenciam as braçadas
Cruzando este meu rio
Levando poemas a amada

Prata da lua cheia
Reflete os sentimentos
Amores que acompanham
Digladia frente ao vento
Correntes fortes que levam
Pensamentos tento a tento
No fundo águas que são
Sepulturas de lamentos

Como chegar outro lado
Esforço descomunal
Somente amor sincero
Remete ser um final
Alcançando outra margem
Meus dedos irão tocar
Lábios de minha amada
Meus sonhos imaginar

Cheias do rio vazante
Destroem por onde passam
Moradas em frente ao rio
No alto sempre escapam
Aquela bem da barranca
Não conseguem segurar
Águas que levam tudo
Amores dores que há

Meu caíque amarrado
Forte em um sarandi
Não segurou estas mágoas
Como ela viu partir
Enxurrada de amores
Margens que não conheci
Fico eu nestas paragens
Brincar nas águas guri.

Um comentário:

  1. Pio,
    muitos não conhecem o sarandi, canoas amarradas em tocos de árvores, pode ser aqui no Ijui bem como no Uruguai. O mundo da natureza faz parte do ser humano no macrocosmo e no microcosmo que estamos inseridos.
    Eunísia

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